
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Carta de Princípios/Românticos Conspiradores SP
Rede Românticos ConspiradoresCarta de Princípios do Núcleo São Paulo“... é preciso afirmar que há, no Brasil, muitos professores que dão sentido às suas vidas, dando sentido à vida das crianças e das escolas. Sinto-me um privilegiado por, após três décadas de trabalho numa escola que ousou provar que a utopia é realizável, encontrar no Brasil tanta generosidade e responsável ousadia.” (1)O movimento Românticos Conspiradores constitui-se de uma rede colaborativa formada por pessoas que militam pela transformação da Educação Pública (2) . Nossa finalidade inicial é a de promover a comunicação e o apoio mútuo entre pessoas, organizações e projetos que tenham por objetivo contribuir para a superação dos arcaicos paradigmas educacionais vigentes.Somos pessoas conscientes de que os modelos educacionais e as práticas educativas possuem decisivas condicionantes sócio-culturais. Este fato exige que, para a transformação da Educação, tenhamos de ultrapassar seu âmbito restrito, englobando as dimensões sociais, políticas e culturais.Temos a convicção de que a Educação atualmente praticada não contribui para que as gerações futuras tenham condição de superar os cruciais desafios postos para e pela humanidade. Mais do que isso, essa educação acaba por incentivar a formação de pessoas que tendem a reproduzir o modo de pensar, sentir, agir e viver que produziram tais desafios. Para que os atuais paradigmas educacionais possam ser superados é necessário estabelecer novas concepções que apontem formas alternativas de pensar, estruturar e praticar a Educação.Tendo como síntese de nossa visão o trinômio autonomia-responsabilidade-solidariedade, apresentamos nossos princípios gerais, assim como alguns exemplos de seus desdobramentos educacionais. A finalidade é tanto orientar a ação dos membros da rede Românticos Conspiradores como esclarecer àqueles que queiram participar ou formar novos núcleos. São estes princípios que, a nosso ver, devem fundamentar a vital transformação da Educação, para que esta possa corresponder às necessidades das pessoas e das sociedades contemporâneas.1. Educar para a IntegralidadeA educação deve contemplar a humanidade dos educadores e educandos em sua totalidade, sendo coerente com a indivisibilidade das dimensões biológica, mental e espiritual de cada pessoa. Assim como cada ser humano possui diferentes limites, possui também diversas potencialidades que poderão, ou não, ser desenvolvidas e expressas a partir das formações e transformações que ocorrem durante toda a vida. Para isso a educação deve ser um processo intencional, contínuo e transformador, que leve a integralidade e que repercuta durante toda a vida.Desdobramentos: educação integral (3), transdisciplinaridade, currículo aberto, aprender a conhecer-fazer-conviver-ser, educação continuada.2. Educar em Solidariedade A educação é um processo relacional, possuindo um caráter social que deve ser assumido nas práticas educativas. A solidariedade, mais do que um objetivo ético a ser atingido, é uma condição primordial para a realização do trabalho educativo. Portanto, este só se desenvolverá plenamente se considerar e incluir as diversas relações entre todos os atores envolvidos: educandos, educadores, gestores, famílias e comunidades. No caso da escola, é indispensável que abra suas portas à comunidade, a fim de constituir-se em pólo integrador e irradiador do saber e do esforço social pela educação, também cabe a escola incentivar a integração dos agentes e espaços comunitários a esse mesmo esforço.Desdobramentos: comunidade educadora, docência compartilhada, ensino-aprendizagem colaborativo, pedagogia de projetos.3. Educar na DiversidadeA educação deve contemplar a originalidade e a criatividade das pessoas, valorizando a diversidade humana em todos os seus aspectos: físicos, psicológicos, culturais, etc. As práticas educativas devem ser coerentes com o fato de que as pessoas aprendem melhor segundo seus interesses e motivações, em diferentes ritmos e de diferentes formas. A noção de educação na diversidade, associada aos conceitos de integralidade e solidariedade, permite o reconhecimento tanto de nossas singularidades quanto das nossas igualdades, resultantes de nossas condições humanas e socioculturais. As diferenças, nesse contexto, devem ser consideradas como algo inerente ao ser humano, rompendo-se a lógica binária que nos fragmenta em “iguais” de um lado e “diferentes” de outro.Desdobramentos: educação inclusiva (4), pedagogia da escuta, ensino não seriado, grupos multietários, educação para a paz, pedagogia da autonomia, educação multicultural.4. Educar na RealidadeA educação deve servir para a melhora objetiva da realidade na qual ela ocorre, contribuindo para o chamado desenvolvimento local. Para tanto, ela deve ser contextualizada, integrada à vida dos educandos e de suas comunidades, aberta para a troca de experiências e conhecimentos. A educação só possibilitará à pessoa atuar efetivamente na transformação da sua realidade se proporcionar condições de autotransformação. Em outras palavras, é somente através da promoção de aprendizagens significativas que a educação contribuirá para a transformação humana e social.Desdobramentos: contextualização, extensão comunitária, ensino ativo, aprendizagem significativa.5. Educar na DemocraciaA educação que prepara para a democracia deve se dar através de práticas não-autoritárias, que permitam a ampla participação de educandos, dos educadores, das famílias e da comunidade. Só é possível uma educação para a ação cidadã se a educação for pela e na ação cidadã. As práticas educativas promotoras da liberdade, autonomia, respeito, responsabilidade, eqüidade e solidariedade devem estar associadas aos princípios anteriores para permitir que atinjamos o objetivo maior da auto-responsabilização social (5).Desdobramentos: educação democrática, não-coercitiva, educomunicação, protagonismo juvenil.6. Educar com DignidadeA dignidade específica do ofício do educador é derivada da dignidade reconhecida na pessoa do educando. O educador deve ser cônscio do seu importante papel como agente social, assumindo sua missão como tutor dos educandos e facilitador de suas aprendizagens, entendendo que a educação deve ser solidária e coletiva e a aprendizagem um processo de dupla-via – entre o educador-aprendente e educando-ensinante. O tão almejado resgate da autoridade e a revalorização social e profissional do educador passam, necessariamente, pela reformulação das formações iniciais, pela reflexão e atualização permanente das práticas educativas e, principalmente, pela constante busca da coerência entre o fazer pedagógico e as necessidades educacionais dos educandos, suas comunidades e das sociedades em geral._____________________________________________(1) José Pacheco, As Escolas Invisíveis, jornal Folha de São Paulo, novembro de 2005.(2) A educação pública é por nós entendida como aquela voltada para a população em geral, seja ela de caráter estatal ou privado.(3) A educação integral é vista aqui como aquela que considera as diversas dimensões da experiência humana: sensorial, cognitiva, emocional, moral, ética, política, cultural, estética, artística, etc.(4) O termo educação inclusiva é aqui utilizado com ressalvas, uma vez que seu uso só faz sentido em um contexto excludente.(5) A auto-responsabilização social refere-se à conscientização de que os contextos sociais são responsabilidade de todos e de cada um, visando que as pessoas e comunidades tenham condição de se apropriar das suas realidades e transformá-las.
Assinam esta Carta e assumem estes Princípios:
Adriana Aparecida de Castro Albertina (Tina) da Assenção Madureira RodriguesAlfredo GiorgiAna Maria Neves CamposAngelo Lourival RicchettiCarla LamDaniela de Almeida Bittencourt MoraesDora IncontriEdna Aparecida dos Santos DomingosElaine Naldi MartinsGumercindo (Guga) DoreaLuci Castor de AbreuLuiz de Campos JuniorMaria Cláudia Viera FernandesMaria Lucinda C. R. MoraisMaria Luiza GasparMaria Teresa da Silva Teixeira PintoMaria Veridiana (Veri) CamposPaula Cristina de Melo FutadaSimone Alcântara FreitasSimone Alonso Kishiue Suely CostaValéria Araújo Drigo
Assinam esta Carta e assumem estes Princípios:
Adriana Aparecida de Castro Albertina (Tina) da Assenção Madureira RodriguesAlfredo GiorgiAna Maria Neves CamposAngelo Lourival RicchettiCarla LamDaniela de Almeida Bittencourt MoraesDora IncontriEdna Aparecida dos Santos DomingosElaine Naldi MartinsGumercindo (Guga) DoreaLuci Castor de AbreuLuiz de Campos JuniorMaria Cláudia Viera FernandesMaria Lucinda C. R. MoraisMaria Luiza GasparMaria Teresa da Silva Teixeira PintoMaria Veridiana (Veri) CamposPaula Cristina de Melo FutadaSimone Alcântara FreitasSimone Alonso Kishiue Suely CostaValéria Araújo Drigo
Reunião Conspiradores Romanticos da Educação
Participaram do encontro:Adriana de Castro, Albertina da Assenção, Ana Maria Neves, Angelo Lourival Ricchetti, Cândida M. B. Mottecy, Carla Lam, Célia Elizabeth Carmignani Mitne, Cirena Calixto da Silva, Clarete Zandrajch, Eloisa Ponzio, Gumercindo Rocha Dorea Filho (Guga), José Antonio Lofrano, Jovelina Magalhães, Luiz de Campos Jr., Maria Lucinda Coelho, Maria Teresa da Silva Teixeira Pinto, Natália Godoy Rodovalho, Regina Inês da Silva, Rosa Cleide Marques, Simone Alcantara Freitas, Suely Costa, Valeria Araujo Drigo, Valquíria Regina FagundesNo dia 13 de setembro de 2008, das 14h30 às 18h30, realizou-se a 5ª reunião do Núcleo de São Paulo, na Escola Espaço Aberto, na Vila Mariana. Presentes 24 pessoas, incluindo representante do núcleo de Santos. Coordenação de Luiz de Campos. Foi distribuído o boletim Românticos Conspiradores - Informativo do Núcleo Regional São Paulo, ano 0 - número 1- setembro de 2008, com contribuição de Ana Maria Neves, Carla Lam, Guga Dorea e Luiz de Campos Jr. Texto sobre Princípios do conspirador Guga; e a Capa e contra-capa com trecho da introdução da dissertação de mestrado de Denise K.P. Furgeri, Do enorme ao pequeno, do dizer à escuta, do prescrever à leitura: Lugares de constituição de uma Orientadora Pedagógica, Unicamp, 2001 e os textos internos são Reflexões sobre a Discussão no Fórum, de Guga Dorea. Teresa leu trechos e recitou poesia de Jacob Levy Moreno, parte do livro As Palavras do Pai, Editorial Psy, Campinas, 1992.Carla fez balanço quantitativo das participações no fórum de debates para a elaboração da Carta de Princípios. Luiz reuniu as idéias apresentadas no Fórum sobre a Carta de Princípios, agrupando-as em sete tópicos: 1. Originalidade e Criatividade do Ser Humano; 2. Construção da Humanidade; 3. Democracia, cidadania e auto-responsabilização; 4. Contextualização; 5. Currículo e Ensino; 6. Relação professor-aluno; 7. Trabalho em equipe, voluntário e remunerado.Discutiu-se o modo de trabalharmos naquele momento estes tópicos. Levantados as seguintes interrogações/cuidados: amanhã, no futuro, quando não estaremos juntos, como aqui e agora, como vamos lidar? Como vamos agir? O que faremos a partir de 2009? (Rosinha); Os contextos são diferentes, As ações são diferentes. É preciso saber o que o outro pensa. O que é comum para o grupo, o que o grupo acredita? Qual a concepção que temos sobre Educação e quais os princípios dessa concepção? (Valquíria). Luiz lembra que colocou no Fórum o tópico Educação, com algumas idéias, porém não teve retornos. E passou em seguida a leitura de tópico por tópico. Para o 1. Originalidade e Criatividade do Ser Humano - Sueli acrescentou o princípio da Simplicidade e Objetividade. Valéria falou de sua vontade de trabalhar para reacender a paixão do professor no seu relacionar. Colocou o principio da Simplicidade e Paixão. Lucinda completou a idéia com sua dedicação ao resgate da paixão dos professores desiludidos. Na leitura do tópico 2. Construção da Humanidade foram feitas as seguintes colocações: acrescentar a dimensão Espiritual (Teresa); a disciplina dos Sentidos (Sueli); resgatar o “cheiro” da Educação, o “ouvir”, desligar o piloto automático...(Adriana); procurar ver o mundo sempre de jeitos diferentes, porque a criança é isso que busca, procurar os significados, apaixonar-se sempre (Alberto). Os demais tópicos foram lidos por Luiz sem que houvesse alterações aos princípios que os compõem. Exceção ao tópico 7. Trabalho em equipe, voluntário e remunerado para que se acrescente a Paixão (trazida por Valéria). Luiz sugere que a Carta de Princípios acompanhada de uma Carta de Intenções. Valquíria diz-nos que Princípio é Semente, algo que nos unifica; Alberto diz que é um Começo. Após pausa para café, Carla e Lucinda apresentaram situação de inscritos no Fórum e quais critérios para a participação de novos nas reuniões presenciais: primeiro se inscreverem, consultarem blogs e receberem convite pessoal. Apresentaram, em seguida, aqueles que estavam pela primeira vez em reunião presencial: Natalia; Adriana de Goiânia que diz “A arte de educar é como fazer as aparas do conhecimento como as aparas dos espinhos de uma rosa para não machucar quem vai recebê-la, preservando a beleza humana.”; Beti de São Paulo psicóloga, Zé António de Guachupé, Minas Gerais, psicólogo, professor universitário; Jovelina de São Paulo, Cirena, coordenadora pedagógica de escola pública de Guarulhos e Valéria, estudante de Pedagogia, de São Paulo. Lucinda em seguida propôs que as pessoas formassem grupos de 2/3 para aprimorarem o (s) tópico (s) que tenham interesse, e/ou criar novos. O que foi feito e compromissado a discutirem entre si para o resultado ser colocado no Fórum até dia 28 de setembro. Luiz disponibilizará tópicos e textos de apoio no Fórum. Marcada próxima reunião para dia 11 de outubro, sábado, das 14h30 às 18h30, local a definir. Lembrou-se que necessário será elaborarmos Carta de Intenções. Carla avisou que recebe apoio para elaboração de informativo. Terminou-se a reunião com leitura de poema de Arnaldo Antunes, trazida por Guga, e uma dança circular do nordeste brasileiro.Memória foi elaborada por Maria Teresa Teixeira.
domingo, 19 de outubro de 2008
Malhação Cerebral - Neuróbica
Conceito
Trocar de mão para escovar os dentes é bom para o cérebro.
O simples gesto de trocar de mão para escovar os dentes, contrariando a rotina e obrigando à estimulação do cérebro, é uma nova técnica para melhorar a concentração, treinando a criatividade e inteligência e, assim, realizando um exercício de Neuróbica.
Uma descoberta dentro da Neurociência vem revelar que o cérebro mantém a capacidade extraordinária de crescer e mudar o padrão de suas conexões.
Os autores desta descoberta, Lawrence Katz e Manning Rubin (2000), revelam que Neuróbica, a "aeróbica dos neurônios", é uma nova forma de exercício cerebral projetada para manter o cérebro ágil e saudável, criando novos e diferentes padrões de atividades dos neurônios em seu cérebro.
Cerca de 80% do nosso dia-a-dia é ocupado por rotinas que, apesar de terem a vantagem de reduzir o esforço intelectual, escondem um efeito perverso: limitam o cérebro. Para contrariar essa tendência, é necessário praticar exercícios "cerebrais" que fazem as pessoas pensarem somente no que estão fazendo, concentrando-se na tarefa.
Exercícios mentais
O desafio da Neuróbica é fazer tudo aquilo que contraria as rotinas, obrigando o cérebro a um trabalho adicional. Exemplo de exercícios:
Use o relógio de pulso no braço direito;
Escove os dentes com a mão contrária da de costume;
Ande pela casa de trás para frente;
Vista-se de olhos fechados;
Estimule o paladar, coma coisas diferentes;
Veja fotos de cabeça para baixo;
Veja as horas num espelho;
Faça um novo caminho para ir ao trabalho;
Troque o mouse de lado;
A proposta é mudar o comportamento rotineiro. Tente, faça alguma coisa diferente com seu outro lado e estimule o seu cérebro.
Então vamos melhorar nossa performace cerebral??Tudo de Bom!! Adriana De Castro
Trocar de mão para escovar os dentes é bom para o cérebro.
O simples gesto de trocar de mão para escovar os dentes, contrariando a rotina e obrigando à estimulação do cérebro, é uma nova técnica para melhorar a concentração, treinando a criatividade e inteligência e, assim, realizando um exercício de Neuróbica.
Uma descoberta dentro da Neurociência vem revelar que o cérebro mantém a capacidade extraordinária de crescer e mudar o padrão de suas conexões.
Os autores desta descoberta, Lawrence Katz e Manning Rubin (2000), revelam que Neuróbica, a "aeróbica dos neurônios", é uma nova forma de exercício cerebral projetada para manter o cérebro ágil e saudável, criando novos e diferentes padrões de atividades dos neurônios em seu cérebro.
Cerca de 80% do nosso dia-a-dia é ocupado por rotinas que, apesar de terem a vantagem de reduzir o esforço intelectual, escondem um efeito perverso: limitam o cérebro. Para contrariar essa tendência, é necessário praticar exercícios "cerebrais" que fazem as pessoas pensarem somente no que estão fazendo, concentrando-se na tarefa.
Exercícios mentais
O desafio da Neuróbica é fazer tudo aquilo que contraria as rotinas, obrigando o cérebro a um trabalho adicional. Exemplo de exercícios:
Use o relógio de pulso no braço direito;
Escove os dentes com a mão contrária da de costume;
Ande pela casa de trás para frente;
Vista-se de olhos fechados;
Estimule o paladar, coma coisas diferentes;
Veja fotos de cabeça para baixo;
Veja as horas num espelho;
Faça um novo caminho para ir ao trabalho;
Troque o mouse de lado;
A proposta é mudar o comportamento rotineiro. Tente, faça alguma coisa diferente com seu outro lado e estimule o seu cérebro.
Então vamos melhorar nossa performace cerebral??Tudo de Bom!! Adriana De Castro
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Hipocrisia Pura_Claudio de Moura Castro ilustra bem neste artigo
Claudio de Moura Castro Os professorese a regra de três
"Nossos professores não aprenderam a ensinare, como conseqüência, nossos alunos não aprendemo que deveriam aprender"
Ato I. Oitocentos professores no auditório. Peço que levantem a mão aqueles que aprenderam a ensinar "regra de três" na faculdade de educação. Surpresa! Nem uma só mão levantada. Ou seja, não aprenderam como ensinar a mais útil das ferramentas matemáticas.
Ilustração Atômica Studio
Ato II. Três mil professores no auditório. Falo com eles sobre a importância de receberem material didático bem detalhado, de forma a melhorar suas aulas e facilitar sua vida. Sou aplaudido de pé. Choram de decepção, ou de raiva, os fundamentalistas antilivros presentes ao evento. Para eles, o professor precisa inventar sua aula em vez de usar o bom material existente.
Ato III. Eu em conversa com algumas professoras. Como elas não aprenderam na faculdade a dar aula, admitem que seus alunos servem de cobaias, enquanto elas aprendem – processo que pode durar até cinco anos. É como se num curso de cirurgia os alunos estudassem apenas a psicogênese do ato cirúrgico. Ao se formarem, teriam de inventar maneiras de operar seus pacientes, já que não as haviam aprendido no curso. Pouco a pouco, aumentaria o número de sobreviventes entre seus pacientes.
Os exemplos acima não têm foros de evidência científica. Contudo, refletem a direção tomada pelos cursos que formam nossos professores. Alguns diretores de escolas públicas falam com nostalgia do velho curso Normal, no qual se aprendia a dar aula. Foi substituído por faculdades de Educação, para formar orientadores nas escolas, e pelos Institutos Normais Superiores, para formar os professores de sala de aula. Mas essas últimas instituições não eram do agrado dos gurus da nossa pedagogia. Usando seus potentes decibéis, conseguiram o seu bloqueio pelo MEC.
O resultado é trágico. Hoje são formados nas faculdades de Educação não apenas os orientadores, mas a esmagadora maioria dos que vão ser professores de sala de aula. Nessas faculdades eles ouvem falar dos livros de muitos autores, vivos e defuntos, nenhum dos quais ensina a dar aula. Em compensação, estudam as mais exaltadas teorias, tais como a luta de classes, a exploração do homem pelo homem, o imperialismo cultural, os intelectuais orgânicos e a psicogênese do conhecimento. É como se a inclusão de algum fragmento de sapiência fosse condicionada a não ter nenhuma aplicabilidade na sala de aula. Piaget não ensina a alfabetizar. Portanto, isso não se aprende nessas faculdades. Resultado: os professores se sentem perdidos diante dos seus alunos.
O educador chileno Ernesto Schiefelbein diz que um médico pode abrir um livro de cirurgia e ficar sabendo dos procedimentos aconselhados para uma apendectomia. Um educador deveria ter também um livro que pudesse consultar quando quisesse saber como ensinar a regra de três. Só que há resistência a livros tão específicos. Para nossos gurus, é errado explicitar como se ensinam tais detalhes, embora haja ampla pesquisa mostrando que isso dá bons resultados.
Entalado na controvérsia está o construtivismo, uma formulação teórica acerca da epistemologia do aprendizado. Aceitemos ou não as suas formulações, elas nada dizem sobre como os livros devem ser nem como usá-los. A subsecretária de Educação da cidade de Nova York é construtivista ferrenha e confessa. E insiste nos materiais escritos que especificam, nos mínimos detalhes, como conduzir a sala de aula. No Brasil, dizem-se construtivistas os gurus furiosos contra livros detalhados. Ou seja, o uso do livro nada tem a ver com o construtivismo. Mas tem muito a ver com o bom aprendizado. A receita é simples, precisamos de livros detalhados, em mãos de professores que aprenderam a usá-los e a dar aula. Assim se faz no mundo inteiro.
O resultado de não preparar professores para dar aula e fazer campanha contra livros é que nem a metade dos alunos da 4ª série é funcionalmente alfabetizada (todos deveriam saber ler ao final da 1ª série). O Pisa (uma prova internacional de aproveitamento escolar) nos mostrou que 23% dos nossos alunos nem sequer atingem o nível 1, o mais baixo. No total, 86% estão abaixo do mínimo esperado. A lógica é inapelável: como os professores não aprenderam a ensinar, os alunos não aprendem o que deveriam aprender.
Claudio de Moura Castro é economista
"Nossos professores não aprenderam a ensinare, como conseqüência, nossos alunos não aprendemo que deveriam aprender"
Ato I. Oitocentos professores no auditório. Peço que levantem a mão aqueles que aprenderam a ensinar "regra de três" na faculdade de educação. Surpresa! Nem uma só mão levantada. Ou seja, não aprenderam como ensinar a mais útil das ferramentas matemáticas.
Ilustração Atômica Studio
Ato II. Três mil professores no auditório. Falo com eles sobre a importância de receberem material didático bem detalhado, de forma a melhorar suas aulas e facilitar sua vida. Sou aplaudido de pé. Choram de decepção, ou de raiva, os fundamentalistas antilivros presentes ao evento. Para eles, o professor precisa inventar sua aula em vez de usar o bom material existente.
Ato III. Eu em conversa com algumas professoras. Como elas não aprenderam na faculdade a dar aula, admitem que seus alunos servem de cobaias, enquanto elas aprendem – processo que pode durar até cinco anos. É como se num curso de cirurgia os alunos estudassem apenas a psicogênese do ato cirúrgico. Ao se formarem, teriam de inventar maneiras de operar seus pacientes, já que não as haviam aprendido no curso. Pouco a pouco, aumentaria o número de sobreviventes entre seus pacientes.
Os exemplos acima não têm foros de evidência científica. Contudo, refletem a direção tomada pelos cursos que formam nossos professores. Alguns diretores de escolas públicas falam com nostalgia do velho curso Normal, no qual se aprendia a dar aula. Foi substituído por faculdades de Educação, para formar orientadores nas escolas, e pelos Institutos Normais Superiores, para formar os professores de sala de aula. Mas essas últimas instituições não eram do agrado dos gurus da nossa pedagogia. Usando seus potentes decibéis, conseguiram o seu bloqueio pelo MEC.
O resultado é trágico. Hoje são formados nas faculdades de Educação não apenas os orientadores, mas a esmagadora maioria dos que vão ser professores de sala de aula. Nessas faculdades eles ouvem falar dos livros de muitos autores, vivos e defuntos, nenhum dos quais ensina a dar aula. Em compensação, estudam as mais exaltadas teorias, tais como a luta de classes, a exploração do homem pelo homem, o imperialismo cultural, os intelectuais orgânicos e a psicogênese do conhecimento. É como se a inclusão de algum fragmento de sapiência fosse condicionada a não ter nenhuma aplicabilidade na sala de aula. Piaget não ensina a alfabetizar. Portanto, isso não se aprende nessas faculdades. Resultado: os professores se sentem perdidos diante dos seus alunos.
O educador chileno Ernesto Schiefelbein diz que um médico pode abrir um livro de cirurgia e ficar sabendo dos procedimentos aconselhados para uma apendectomia. Um educador deveria ter também um livro que pudesse consultar quando quisesse saber como ensinar a regra de três. Só que há resistência a livros tão específicos. Para nossos gurus, é errado explicitar como se ensinam tais detalhes, embora haja ampla pesquisa mostrando que isso dá bons resultados.
Entalado na controvérsia está o construtivismo, uma formulação teórica acerca da epistemologia do aprendizado. Aceitemos ou não as suas formulações, elas nada dizem sobre como os livros devem ser nem como usá-los. A subsecretária de Educação da cidade de Nova York é construtivista ferrenha e confessa. E insiste nos materiais escritos que especificam, nos mínimos detalhes, como conduzir a sala de aula. No Brasil, dizem-se construtivistas os gurus furiosos contra livros detalhados. Ou seja, o uso do livro nada tem a ver com o construtivismo. Mas tem muito a ver com o bom aprendizado. A receita é simples, precisamos de livros detalhados, em mãos de professores que aprenderam a usá-los e a dar aula. Assim se faz no mundo inteiro.
O resultado de não preparar professores para dar aula e fazer campanha contra livros é que nem a metade dos alunos da 4ª série é funcionalmente alfabetizada (todos deveriam saber ler ao final da 1ª série). O Pisa (uma prova internacional de aproveitamento escolar) nos mostrou que 23% dos nossos alunos nem sequer atingem o nível 1, o mais baixo. No total, 86% estão abaixo do mínimo esperado. A lógica é inapelável: como os professores não aprenderam a ensinar, os alunos não aprendem o que deveriam aprender.
Claudio de Moura Castro é economista
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
INTELIGÊNCIA EMOCIONAL
Os cinco passos para desenvolver a inteligência emocional
SÃO PAULO - O ser humano é racional e emocional, invariavelmente e ao mesmo tempo, diz o coach executivo e de equipes Carlos Cruz. O indivíduo emocionalmente inteligente consegue mobilizar o que sente de forma estratégica, com o objetivo de alcançar suas metas. Ele reconhece, aceita e gerencia suas emoções."Conheço muitas pessoas que deixaram de alcançar melhores cargos por terem perdido o equilíbrio em determinado momento. Quem nunca teve vontade de mandar tudo para o ar? Acredito que a maioria de nós. O importante é saber que isso pode dar uma sensação de alívio na hora, mas será que não trará problemas depois?", questiona. Não elimine a emoçãoIsso não significa que você precisa eliminar ou ignorar o que sente e focar somente na razão. "Imagine um goleiro que vai defender um pênalti sem um dos braços. Impossível, não é? O mesmo aconteceria com uma pessoa que eliminasse a razão ou a emoção no seu dia-a-dia. Precisamos buscar a harmonia e, quanto mais a razão trabalhar com a emoção, mais força e potencial a pessoa terá", afirma o coach.Segundo ele, a atual crise financeira é um exemplo de situação que exige muito controle emocional. "Até alguns meses atrás, a bolsa de valores era tida como um ótimo lugar para investir, o que levou muitas pessoas a comprar papéis por impulso, sem estudá-los ou realizar um planejamento", diz. Hoje, com as quedas nas bolsas de todo o mundo, investidores, desesperados, estão vendendo suas ações, perdendo uma quantia considerável, sem nem mesmo esperar a recuperação do valor investido. Desenvolvendo a inteligência emocionalO especialista garante que a inteligência emocional pode ser desenvolvida, por meio de trabalhos que envolvem algumas competências do indivíduo. Ele conta que, durante seus trabalhos, procura se basear nos programas de coaching desenvolvidos por Daniel Goldman. Veja o texto elaborado por Cruz, que traz as cinco áreas que devem ser trabalhadas pelo profissional:
Eu me conheço: é a área do autoconhecimento, a sinceridade que cada um tem consigo mesmo para avaliar as suas habilidades de maneira verdadeira, abrindo-se para feedbacks, para reconhecer como as suas emoções afetam seu desempenho e a ligação entre o que pensa, sente e sua maneira de agir. Pare alguns minutos antes de enfrentar um desafio que gera tensão emocional e pergunte-se: Qual é a emoção que estou sentindo neste momento? Como eu posso pensar e agir diferente nesta situação?
Eu me gerencio: nesta etapa, busco trabalhar o autocontrole, que permite à pessoa pensar antes de agir, conseguindo, assim, administrar seus impulsos, para não explodir e depois se arrepender. É importante ter a capacidade de se adaptar às situações para alcançar um objetivo, além de flexibilidade e foco em momentos de pressão. Tenha sempre um objetivo em mente e pense quais seriam os passos para alcançá-lo. Pergunte-se freqüentemente: qual comportamento construtivo eu posso ter agora para alcançar meu objetivo?
Motivação: os indivíduos têm um propósito, um motivo para agir. Estar pronto para agarrar as oportunidades, superar os obstáculos e aprender com eles para seguir em frente é muito importante. Saiba que o fracasso é um julgamento temporal e trabalhe constante e incessantemente em busca de resultados positivos. Mobilize pessoas para alcançar a realização. Uma pessoa motivada tem iniciativa e persistência. Reflita: suas decisões são motivadas pelo medo de perder ou pela esperança de ganhar? O que você precisa fazer para alcançar seu objetivo?
Eu conheço os outros: nesta fase, peço às pessoas que observem para suas equipes e os colegas ao seu redor. É preciso mostrar sensibilidade ao ponto de vista do próximo, buscar maneiras de conquistar a confiança alheia e aumentar o nível de satisfação dos outros. Enxergar as diferenças como oportunidades de desenvolvimento faz toda a diferença. Avalie sua capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreendê-lo. Faça uma lista das qualidades, talentos e dificuldades das pessoas ao seu redor. Pense também nas idéias pré-concebidas que você tem do seu chefe, clientes e liderados. Podem não passar de preconceitos;
Eu gerencio os outros: aqui exercitamos a liderança situacional, gerenciamos conflitos, colaboramos, trabalhamos em equipe, construímos alianças e desenvolvemos os outros. Nesta área, pode-se observar a capacidade de lidar com pessoas difíceis. Desafiar o status quo, ou seja, como as coisas são é uma forma de avaliar como você gerencia os outros. Aproveite para refletir sobre algo importante que deseja comunicar e se pergunte: o que é mais importante nesta mensagem para mim? E para os outros? Pense, ainda, se existe uma melhor maneira de dizer o que deseja.
SÃO PAULO - O ser humano é racional e emocional, invariavelmente e ao mesmo tempo, diz o coach executivo e de equipes Carlos Cruz. O indivíduo emocionalmente inteligente consegue mobilizar o que sente de forma estratégica, com o objetivo de alcançar suas metas. Ele reconhece, aceita e gerencia suas emoções."Conheço muitas pessoas que deixaram de alcançar melhores cargos por terem perdido o equilíbrio em determinado momento. Quem nunca teve vontade de mandar tudo para o ar? Acredito que a maioria de nós. O importante é saber que isso pode dar uma sensação de alívio na hora, mas será que não trará problemas depois?", questiona. Não elimine a emoçãoIsso não significa que você precisa eliminar ou ignorar o que sente e focar somente na razão. "Imagine um goleiro que vai defender um pênalti sem um dos braços. Impossível, não é? O mesmo aconteceria com uma pessoa que eliminasse a razão ou a emoção no seu dia-a-dia. Precisamos buscar a harmonia e, quanto mais a razão trabalhar com a emoção, mais força e potencial a pessoa terá", afirma o coach.Segundo ele, a atual crise financeira é um exemplo de situação que exige muito controle emocional. "Até alguns meses atrás, a bolsa de valores era tida como um ótimo lugar para investir, o que levou muitas pessoas a comprar papéis por impulso, sem estudá-los ou realizar um planejamento", diz. Hoje, com as quedas nas bolsas de todo o mundo, investidores, desesperados, estão vendendo suas ações, perdendo uma quantia considerável, sem nem mesmo esperar a recuperação do valor investido. Desenvolvendo a inteligência emocionalO especialista garante que a inteligência emocional pode ser desenvolvida, por meio de trabalhos que envolvem algumas competências do indivíduo. Ele conta que, durante seus trabalhos, procura se basear nos programas de coaching desenvolvidos por Daniel Goldman. Veja o texto elaborado por Cruz, que traz as cinco áreas que devem ser trabalhadas pelo profissional:
Eu me conheço: é a área do autoconhecimento, a sinceridade que cada um tem consigo mesmo para avaliar as suas habilidades de maneira verdadeira, abrindo-se para feedbacks, para reconhecer como as suas emoções afetam seu desempenho e a ligação entre o que pensa, sente e sua maneira de agir. Pare alguns minutos antes de enfrentar um desafio que gera tensão emocional e pergunte-se: Qual é a emoção que estou sentindo neste momento? Como eu posso pensar e agir diferente nesta situação?
Eu me gerencio: nesta etapa, busco trabalhar o autocontrole, que permite à pessoa pensar antes de agir, conseguindo, assim, administrar seus impulsos, para não explodir e depois se arrepender. É importante ter a capacidade de se adaptar às situações para alcançar um objetivo, além de flexibilidade e foco em momentos de pressão. Tenha sempre um objetivo em mente e pense quais seriam os passos para alcançá-lo. Pergunte-se freqüentemente: qual comportamento construtivo eu posso ter agora para alcançar meu objetivo?
Motivação: os indivíduos têm um propósito, um motivo para agir. Estar pronto para agarrar as oportunidades, superar os obstáculos e aprender com eles para seguir em frente é muito importante. Saiba que o fracasso é um julgamento temporal e trabalhe constante e incessantemente em busca de resultados positivos. Mobilize pessoas para alcançar a realização. Uma pessoa motivada tem iniciativa e persistência. Reflita: suas decisões são motivadas pelo medo de perder ou pela esperança de ganhar? O que você precisa fazer para alcançar seu objetivo?
Eu conheço os outros: nesta fase, peço às pessoas que observem para suas equipes e os colegas ao seu redor. É preciso mostrar sensibilidade ao ponto de vista do próximo, buscar maneiras de conquistar a confiança alheia e aumentar o nível de satisfação dos outros. Enxergar as diferenças como oportunidades de desenvolvimento faz toda a diferença. Avalie sua capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreendê-lo. Faça uma lista das qualidades, talentos e dificuldades das pessoas ao seu redor. Pense também nas idéias pré-concebidas que você tem do seu chefe, clientes e liderados. Podem não passar de preconceitos;
Eu gerencio os outros: aqui exercitamos a liderança situacional, gerenciamos conflitos, colaboramos, trabalhamos em equipe, construímos alianças e desenvolvemos os outros. Nesta área, pode-se observar a capacidade de lidar com pessoas difíceis. Desafiar o status quo, ou seja, como as coisas são é uma forma de avaliar como você gerencia os outros. Aproveite para refletir sobre algo importante que deseja comunicar e se pergunte: o que é mais importante nesta mensagem para mim? E para os outros? Pense, ainda, se existe uma melhor maneira de dizer o que deseja.
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